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Estúdio Paulosoft
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paulo e vitória - conexão e amor
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Capítulo 1
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# CENA 2 — Os Planos Secretos de Gabriel Gabriel observava Vitória pela porta entreaberta do quarto, os braços cruzados, o maxilar tenso. Ela estava na cozinha, concentrada na pia cheia de louça, com aquele sorriso bobo no rosto que ele tanto desprezava. O som da água corrente e o tilintar das panelas preenchiam o apartamento, junto com a voz dela cantarolando alguma música irritante. *Patética*, pensou ele, sentindo o peso do celular no bolso onde guardava o código mais recente que havia copiado do notebook dela enquanto dormia. *Completamente patética.* Vitória mergulhou as mãos na água ensaboada, pegou uma esponja e começou a esfregar os pratos com movimentos circulares. Gabriel conhecia aquela rotina. Daqui a pouco viria a parte que ele mais odiava. — Gabriel! — a voz dela ecoou, alegre e cheia de expectativa. — Vem aqui, amor! A espuma ficou perfeita hoje! Ele respirou fundo, forçando um sorriso antes de se aproximar. Tinha que aguentar mais um pouco. Só mais um pouco. Quando chegou à cozinha, Vitória já estava com as mãos cheias de espuma, os olhos brilhando com aquela intensidade infantil que fazia o estômago dele revirar. — Olha! — ela disse, moldando a espuma entre os dedos. — Vou fazer um coração para você! Gabriel observou enquanto ela desenhava formas na superfície da pia, rindo sozinha, completamente absorta naquele momento ridículo. Como alguém de vinte e dois anos podia se comportar como uma criança de cinco? Como ela não percebia o quanto aquilo era nojento? — Lindo — ele murmurou, forçando-se a se aproximar. — Agora você! — Vitória pegou um punhado de espuma e estendeu para ele. — Desenha alguma coisa comigo! As mãos de Gabriel se fecharam em punhos por um instante antes de relaxar. Ele pegou a espuma, sentindo a textura escorregadia e morna contra a pele, e rabiscou algo vagamente parecido com uma estrela na pia de inox. — Ficou bonito! — Vitória se inclinou e beijou seu ombro, deixando um pouco de espuma em sua camisa. — Você está ficando cada vez melhor nisso! *Nojento. Absolutamente nojento.* Mas Gabriel sorriu, passou o braço ao redor dela e fingiu apreciar aquele momento. Fingiu que não estava contando os dias. Fingiu que não havia passado a última hora da madrugada copiando os últimos arquivos que faltavam do projeto dela. — Você me ensina tão bem — ele disse, beijando o topo da cabeça dela. — Tudo o que eu sei sobre desenvolvimento de jogos, devo a você. E era verdade. Cada linha de código, cada mecânica, cada truque de otimização — tudo havia saído daquela mente brilhante e irritantemente generosa. Vitória havia compartilhado tudo com ele, acreditando que estavam construindo algo juntos. *Idiota.* — Eu amo que você se interesse pelo que eu faço — Vitória disse, voltando a lavar a louça. — Sabe, tem namorados que acham chato, que não querem aprender... mas você não. Você fica comigo, programa comigo, desenha na espuma comigo... Ela riu, aquele riso cristalino que perfurava os ouvidos dele. — Você é perfeito, Gabriel. Ele engoliu a bile que subiu pela garganta. — E você é incrível — respondeu automaticamente. Vitória terminou de enxaguar a última panela e pegou o pano de prato. Com movimentos caprichosos, começou a limpar a pia, passando o pano ensaboado por cada centímetro do metal, fazendo círculos, desenhando padrões invisíveis. — Essa é a melhor parte — ela suspirou, completamente imersa na tarefa. — Deixar tudo brilhando... Gabriel observou, contando mentalmente. Três dias. Talvez quatro. O jogo estava quase pronto. Só faltavam os ajustes finais, aqueles detalhes que fariam toda a diferença entre um projeto amador e algo comercialmente viável. E então ele não precisaria mais fingir. Não precisaria mais desenhar em espuma nojenta. Não precisaria mais ouvir sobre acessibilidade para deficientes visuais, aquela obsessão ridícula dela. *"Jogos são para todos"*, ela sempre dizia. Que piada. Jogos eram para quem podia pagar, para quem tinha mercado, para quem importava. Cegos tinham seus próprios jogos. Por que ela desperdiçava tanto tempo e energia com algo que não dava retorno? Mas ele havia fingido apoiar. Havia fingido achar lindo. Havia copiado cada técnica, cada solução criativa que ela desenvolvia para tornar seus jogos acessíveis, e depois havia descartado tudo nos seus próprios projetos. — Pronto! — Vitória deu um passo para trás, admirando a pia reluzente. — Perfeito! Ela se virou para ele, com aquele sorriso radiante, e Gabriel teve que se segurar para não revirar os olhos. — Vem, vamos codar um pouco? — ela perguntou, já puxando ele pela mão em direção ao quarto onde ficavam seus computadores. — Quero te mostrar uma técnica nova para implementar áudio espacial em jogos 2D... *Perfeito*, pensou Gabriel, seguindo-a. *Mais um pedaço do quebra-cabeça.* Enquanto Vitória abria o laptop e começava a explicar animadamente, Gabriel já planejava como iria usar aquela informação. Como iria implementar no seu projeto. Como iria garantir que, quando lançasse o jogo, ninguém conseguiria provar que ele havia roubado dela. Porque no final, quem iria acreditar nela? Uma desenvolvedora desconhecida contra ele, Gabriel Mendes, filho de empresários, com todos os recursos do mundo à disposição? Ele já havia comprado o apartamento onde ela morava. Já havia transferido a escritura para seu nome. Já tinha tudo preparado. Só faltava o momento certo. — Você está me ouvindo? — Vitória cutucou seu braço, sorrindo. — Claro — Gabriel respondeu, forçando atenção. — Áudio espacial. Continue. E ela continuou, generosa e apaixonada, compartilhando cada segredo, cada descoberta, cada parte de si mesma. Sem fazer ideia de que estava entregando as últimas peças para sua própria destruição.
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